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Um café, por favor.

 

smiling beautiful hipster woman sitting on bench with morning co

– Um café – pedi para a moça da cafeteria que sorria como poucas pessoas que trabalham atendendo o público sorriem, ainda mais quando está cedo – por favor.

Sentei e pensei em abrir um livro. Havia calculado mal o tempo e chegado muito cedo para a entrevista de emprego. Abri a bolsa, o livro não estava lá. Provavelmente estava esquecido em algum lugar do meu apartamento. Sem nada para fazer, observei as pessoas passando, algumas com pressa, algumas com sono, outras sérias, poucas sorridentes. Então, como naquelas cenas de filme, meu olhar cruzou com aqueles olhos cor de mel.

Se olhei por dois segundos, foi tempo demais, mas pareceu tempo suficiente para que o sujeito visse minha alma, poucas pessoas têm esse poder sobre mim. Desviei o olhar timidamente. Olhei para o meu copo de café sobre a mesa, olhei para o chão. O homem dos olhos de mel parou na minha frente – esta cadeira está ocupada? Fiz que não com a cabeça. Ele se sentou. Tomou um longo gole de café, qual? Eu não sei. Pensei em perguntar, hesitei por um momento. Puxei o ar, olhei para ele e percebi que ele me olhava, desviei o olhar rapidamente.

Senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Que ideia idiota querer perguntar qual café ele tomava. Ele abriu a pasta preta que havia deixado sobre a mesa ao se sentar. Talvez ele também estivesse adiantado para uma entrevista. Talvez. Pegou um livro, I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL, o mesmo livro que eu havia esquecido em casa! Momento perfeito para puxar papo não? O que está achando do livro? Mas as palavras não saiam.

Que idiotice querer começar uma conversa. Pegou o copo de café, mais um gole, colocou sobre a mesa. Peguei meu celular. Nada para fazer. Absolutamente nada. Ele lia o livro, entretido. Eu mexia no celular, entediada. Ele sorria, eu imaginava qual personagem fazia brotar em seu rosto aquele brilho. Ele ficava sério, eu imaginava qual cena o fazia ficar tenso.

Provavelmente eu teria as mesmas reações que ele quando chegasse ao ponto do livro que ele lia agora. Ele olhou para o relógio, fechou o livro. Guardou em sua pasta. Eu fingi que meu celular estava interessante. Ele levantou. Fitei, novamente, aqueles olhos hipnóticos. Ele sorriu. Eu sorri. Ele foi embora e eu não disse nada…

Patty Mayumi

Patty Mayumi

Menina do interior que sonhava grande e de sonhar grande ganhou asas e voou para a terra dos Hobbits.
Atualmente mora em Auckland, mas carrega consigo os sonhos e a inspiração que nasceram no coração brasileiro.

No blog das meninas, fala sobre suas experiências de viagens, filmes e livros que inspiram e procura palavras que traduzam o que sente.
Patty Mayumi

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