RELACIONAMENTOS

Tempo

 

Este com certeza foi um dos textos mais difíceis de escrever. Hoje, 23 de janeiro de 2016, celebro com muita alegria e boas memórias o tempo incrivelmente maravilhoso vivido no Canadá. Ah, essa foto do relógio do college, é uma das recordações mais queridas! <3

Quem acompanha minha trajetória desde que fui fazer intercâmbio, e fiquei para cursar um college (que equivale à um curso de faculdade aqui no Brasil), sabe o quanto eu estava realizada e que não havia medida para tanta alegria da minha nova vida em terras de Justin’s. Entretanto os últimos meses que culminaram com meu retorno ao Brasil por conta de visto recusado, me fizeram entender e viver à risca, Eclesiastes 3.1:

Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião.

Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender completamente o que ele faz.

Eu não quero falar de religião, mas cito esse trecho bíblico para reafirmar (a mim mesma), que eu preciso aprender a lidar com a espera e a resposta da melhor forma que puder. O não eu já tenho, não é mesmo? E ele não deixa de ser uma resposta, e talvez é esta a resposta de que eu preciso. Tudo tem seu tempo e é o tempo e por consequência as escolhas que ele trás, que nos faz entender diversas coisas. Hoje eu me sinto muito mais madura, mais tolerante e bem mais realista (pé no chão), do que há 1 ano atrás.

Jamais vou me esquecer do cuidado diário de Deus em todas as coisas, principalmente por me presentear com uma igreja maravilhosa que é a Resurgent Church (#MissMyChurchEverySingleDay), minha casa, meu aconchego! Vivi o extraordinário. Conheci o amor de diversas formas, intensidades e culturas. Entendi que todas as barreiras podem ser quebradas, que o idioma não impede, liberta. Que a nossa alegria não pode depender do sonho, das possibilidades, ou do que se espera. Mas que a felicidade deve estar pautada no viver hoje, sem arrependimentos. E reconsiderar o que me foi permitido viver, não é uma opção.

Aprendi que a riqueza das coisas está nos detalhes, nos sorrisos e gentileza que a gente distribui, na felicidade que cultivamos. E na vida que a gente escolhe levar, do jeito que julgar ser importante para nós, e não para outros. A sua satisfação pessoal, deve depender inteiramente de você e daquilo que você julga ser certo para a sua vida.

Aprendi a amar o Canadá, de uma maneira que me faltam palavras para explicar. Só sei sentir uma coisa boa aqui dentro de mim, toda vez que a palavrinha CA-NA-DÁ é pronunciada, ou lida pelos olhos que tanto brilham por esse país. O sorriso fica largo, quase não cabe na boca, e as lembranças, são as mais lindas. Me apaixonei diariamente e perdidamente por Montreal, suas peculiaridades e mais ainda, das pessoas queridas que floresceram meu caminho, e fizeram cada qual a sua maneira, uma forma de trazer carinho ao meu coração. Vi que meus medos, inseguranças, tristezas e loucuras eram coisa minha e que só eu tinha o poder de me fazer feliz. Que as prioridades mudam, e que a gente aprende a se adaptar e aceitar àquilo que a vida propõe, mesmo que no começo, possa parecer difícil demais, lembre-se que o fardo é dado de acordo com o que se pode carregar.

Mas, mais do que tudo isso ainda, foi ao voltar para o aconchego do lar familiar, amar ainda mais esse país tão delícia que é o Brasil, é que a gente tem que ser feliz e ponto final. Que a gente, brasileiro (a), vive a vida agitada, e na maioria das vezes cheias de altos e baixos, mas sempre com sorriso amigo no rosto, e mão estendida ao próximo. Isso, país nenhum pode comprar. O que somos, para nós, e para o restante do mundo é irrevogável. É nosso, nosso patrimônio. Brasil é mais do que mulata com samba no pé, desfile de carnaval, bola rolando no gramado ou o churrasco chiando no fogaréu. É a satisfação na simplicidade da vida. Na leveza. A gente tem que parar de desmerecer o nosso país e ao invés disto, amá-lo de tal forma que o transformemos naquilo que tanto sonhamos.

Voltar para o Brasil me fez poder abraçar minha avó mais umas muitas vezes e ter a oportunidade de dizer TE AMO, outras tantas. Poder olhar nos olhinhos miúdos, mas cheios de amor dos meus irmãozinhos, e ver que a saudade tem nome, sobrenome, e as janelinhas de dente de leite e as covinhas mais lindas do mundo!

Eu chorei muito ao deixar o Canadá. Mas sei que este tempo de pausa no meu sonho, é um momento de cultivo, de entendimento, e de planejamento. Nada acontece por acaso. Tudo o que é permitido pela vida, de alguma forma, mesmo que nos julgamos alguns caminhos meio tortos, se acerta no final, e os pingos vão finalmente encontrando seus is. Afinal, quanto maior a luta, maior a recompensa.

Eu vou ser grata à Deus, pelas oportunidades que tive enquanto viver, mas mais ainda serei, pelas que vivo, porque eu sei que tudo o que Deus faz, dura para sempre; não podemos acrescentar nem tirar nada.

Então entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder.

Eu sei que ainda estamos longe do fim, 

Thaissa Freire

Thaissa Freire

Em terra em que o YouTube e as gigantes de streaming imperam, eu carioca da gema, cristã que sabe que existe SIM, muito amor - e chuva - em São Paulo, não troco as palavras em forma de escrita por nada. Adoro um bom vídeo, piro nos GIFS, mas são os versos que fazem o meu coração refém.

Uma louca apaixonada por letras, Montreal (Canadá), e que faz do Blog das Meninas, o palco de seus sonhos mais doidos, escreve - sempre que a vida permite - sobre suas experiências de viagens, séries, filmes e livros favoritos, receitinhas pois é metida a chef de cozinha, músicas, e o que mais lhe vier à cabeça.
Thaissa Freire

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