OPINIÃO ALHEIA

Eu tive depressão, e saber disso tem me salvado

Quase dois anos separam as duas imagens ao lado. E acredite se quiser, a única montagem que tem aí, é a colagem que fiz. O resto, representa um ano de muita superação, autoconhecimento e amor próprio.

Eu não posso falar pelos outros, mas espero que a minha experiência possa servir de ajuda para alguém que precise.

dezembro/2015:  vinha passando por quase dois anos de depressão, sem ao menos saber o que era isso e nem tampouco desconfiar que logo eu, tinha esse tipo de problema. Minha válvula de escape às circunstâncias da vida era a comida. Nos alimentos eu tentava encontrar as respostas que um diagnóstico e tratamento poderiam me dar. Eram nas diversas barras de chocolate, nas pizzas inteiras e na comilância sem fim que eu apoiava todo o meu desespero e falta de perspectiva. O Canadá me salvou. O sonho de fazer um intercâmbio, justo nas terrinhas que um dia minha mãe quis chamar de dela (leia aqui), foi a minha luz no fim do túnel, apesar de eu não enxergar no quê a depressão havia me transformado.

Sempre fui uma pessoa mais introspectiva. Falo muito, mas com quem tenho intimidade (por isto que sempre digo, que intimidade é uma porcaria, risos). Confortava o meu coração sem grandes expectativas no açúcar que me dava a falsa e ligeira sensação de pertencimento, felicidade e equilíbrio, que eu não tinha. Sim, eu estava desequilibrada em todos os sentidos, e imagino que é assim que a depressão vem. Sorrateiramente, ela chega como não quer nada. Com aquele sentimento triste que você não sabe de onde vem, e porquê vem. Você simplesmente se torna uma pessoa mais calada, e acha que isso é perfeitamente aceitável, normal. Seus pensamentos não valem à pena serem compartilhados. E a depressão vai te tragando para um buraco escuro e sem fim, um limbo. Enquanto você experimenta aquela sensação de queda livre interminável, e não tem nem onde segurar. Na verdade, você vai segurar no quê, se você não tem nada?

Você não tem nada, porque admitir que está com depressão é dizer que está doente, e ninguém quer se sentir doente. Mais, ninguém quer estar perto de alguém doente. E a depressão vai tomando as suas vontades, vai drenando os seus sonhos, roubando seus pensamentos, matando os seus sorrisos e a vida vai indo embora aos pouquinhos… Quando você vê, está sozinha(o) envolto à todo mundo. Mas na sua luta interior contra esse demônio que lhe corrói as entranhas. 

Vivi meu inferno e ele me rendeu quilos de gordura, desprezo e baixa estima. Na minha cabeça, eu era nada, apesar de poder ter tudo. As pessoas viam, que eu estava estranha. Imensa, certamente. Umas até choraram, e eu fiquei sabendo meses depois. Eu também chorava. Foi só em dezembro/2016, que eu entendi que todo aquele afastamento, toda aquela sensação de sofrência (no sentido da palavra mesmo, não do estilo musical) que dava uma dor no peito sempre que eu começava a pensar: como é que eu cheguei aqui, e como faço pra sair daqui, dilaceravam minh’alma.

Em dezembro/2016, eu tinha acabado de voltar do Canadá, e estava com meus pensamentos à mil. Mas um deles, era acertar uma das coisas que sempre havia negligenciado: minha saúde. Em Montreal, eu estava tentando mudar meus hábitos e adquirir qualidade de vida. Como a cidade é pequena, dá para se fazer praticamente tudo à pé, o transporte é acessível e tranquilo. Lá também é costume que as pessoas levem suas próprias marmitas para o trabalho. Dificilmente você vai ter o vale-refeição atrelado ao benefício do trabalhador. E eu adquiri esse carinho de fazer minha própria comida e tentar ouvir o que o meu corpo estava dizendo: regule-me. À começar pelo meu ciclo, e histórico familiar de diversos problemas como ovários policísticos (que eu tenho), e endometriose. Ou seja, problemas internos (no meu caso os hormonais), corroboram com os externos e podem sim, levar à depressão.

Fui atrás de profissionais que me ajudassem a ter a força que eu não tinha. Chorei, claro. Ninguém gosta de ser tachada(o) como obesa(o), e ser declarada(o) como sedentária(o). Entretanto, todos os meus exames estavam normais, não havia disfunções com a tireóide, ou qualquer diagnóstico mais sério. Um alivio. Com a ajuda de alguns remédios (sim, minhas médicas me recomendaram além do anticoncepcional, uma cápsula para perda de peso, e outra que também ajuda no emagrecimento, enquanto ajuda a regular os ovários policísticos), que eu já adianto que não citarei os nomes aqui, por motivo simples: não sou especialista, e acredito que cada caso seja específico e deve ser tratado como tal. Logo, dizer que o medicamento X, vai te ajudar também apesar de que possa fazê-lo, só um profissional tem o poder de dizer que sim, ou que não, tá bem? 🙂

O que quero dizer aqui são duas coisas: eu entendi que estava com problemas, e fui atrás.

Às vezes demora para a gente identificar que está com problemas, e às vezes a gente nem vê, ou não quer ver. Às vezes a gente precisa que alguém ajude a gente a ver, alguém que estenda a mão e nos tire desse buraco. Minha salvação, foi entender que eu precisava fazer algo por mim de verdade, e os médicos vem sendo meu porto-seguro.

outubro/2017: o que mudou? Tudo. Hoje, eu consigo olhar para frente e ter a perspectiva de um futuro. Algumas coisas não saíram como planejado, mas eu sigo sempre me lembrando de que estou em meu céu. Como diz minha nutri-coach, Dra. Thaís Barros (que tem me ajudado muito a entender que preciso pensar sempre como uma pessoa saudável, equilibrada e feliz), é importante você identificar o seu inferno e o seu céu. Meu inferno era o período obscuro de 2014/2015. Agora, vivo no céu, e só de pensar nisso, já sorrio. Emagreci, sim. E isso me trouxe de volta a confiança que eu havia perdido, e o amor que eu tentava buscar nos outros, entendi que preciso ter por mim.

Hoje, meu relacionamento comigo mesma é de carinho e respeito. Mas quero chegar na parte em que eu consiga olhar para mim mesma com tesão, sabe? E isso não é errado. É perfeitamente correto amar-se. E eu precisei passar pelo meu inferno para entender que me amar, cuidar de mim, buscar minhas metas, sonhos e objetivos, é o caminho para que eu consiga amar aos outros, consiga ter respeito e admiração pelo próximo, e principalmente, consiga projetar novos desafios. Mas confesso: é difícil pra caramba. Tem dias, em que eu quero jogar tudo pro alto, e meter as caras em uma comilança sem fim. E fiz isso, tá? Aliás, estou nessa e querendo sair dessa (porque sei exatamente aonde eu quero chegar, e principalmente para onde eu não posso voltar). E é aí que o trabalho da Thá entra e tem me fortalecido. 

  • Consigo identificar quem está com depressão, por já ter passado por isso? 

Uso minha experiência para tentar entender se consigo de alguma forma ajudar alguém, quando sinto que a pessoa está indo para o mesmo caminho em que estive um dia. Entretanto, não sou especialista em depressão pra diagnosticar ou tratar alguém. Porém sim, acredito que por já ter passado por essa experiência, tenha mais sensibilidade sobre o assunto.

Estar em depressão, ou ter alguém em depressão, não faz ninguém menos isso ou aquilo. Quer dizer que precisamos parar para ouvir, para amar, para entender de que forma podemos ajudar aquela pessoa querida a passar por este momento tão delicado, da melhor forma possível.

Aproveitando, vou deixar aqui os contatos da Dra. Thaís Barros, que além de ser uma profissional com 11 anos dedicados exclusivamente à nutrição, e entender como ela pode ser vista como uma mudança de vida, é uma querida (e muito, muito, muito paciente, sério! Pensa em uma paciente jacona – EU, total! -, que foge da nutri pra não levar bronca, tipo criança?).

Você pode acessar a página do Facebook dela: Thaís Barros – Coach de Emagrecimento, acompanhar os vídeos que ela posta no YouTube ou no Instagram.

Deixo aqui, esse vídeo agradecimento pelo trabalho incrível que a Thá vem fazendo comigo (haja dedicação hein, Thá!)

E lembre-se a depressão não pode te fazer refém em seu próprio corpo, ela não tem o poder de drenar seu espírito, sonhos e aquilo que você é. Não se sinta sozinha(o), porque você não está. A sua vida tem um valor muito maior do que qualquer dificuldade que você esteja enfrentando.

Thaissa Freire

Thaissa Freire

Em terra em que o YouTube e as gigantes de streaming imperam, eu carioca da gema, cristã que sabe que existe SIM, muito amor - e chuva - em São Paulo, não troco as palavras em forma de escrita por nada. Adoro um bom vídeo, piro nos GIFS, mas são os versos que fazem o meu coração refém.

Uma louca apaixonada por letras, Montreal (Canadá), e que faz do Blog das Meninas, o palco de seus sonhos mais doidos, escreve - sempre que a vida permite - sobre suas experiências de viagens, séries, filmes e livros favoritos, receitinhas pois é metida a chef de cozinha, músicas, e o que mais lhe vier à cabeça.
Thaissa Freire

Últimos posts por Thaissa Freire (exibir todos)

You Might Also Like

No Comments

    Leave a Reply